Os ataques cibernéticos contra instituições financeiras atingiram um novo patamar de sofisticação e frequência. De acordo com um estudo recente da IBM, o setor financeiro foi o mais afetado por ataques cibernéticos em 2023, representando 30% de todas as violações de dados globais. Esse cenário coloca os bancos no epicentro da guerra digital.
Casos como o ataque à Banco Estado, no Chile, em 2020, que paralisou totalmente suas operações após um ataque de ransomware, servem como um exemplo claro dos riscos. O banco sofreu milhões em perdas financeiras e danos à sua reputação. Assim como o Banco Central da Nova Zelândia, que também foi vítima de uma grande violação em 2021, as instituições financeiras em todo o mundo estão sob constante ataque. Os cibercriminosos buscam as informações financeiras e pessoais dos clientes, que podem ser vendidas no mercado negro ou usadas para fraudes e extorsões.
Mas por que, afinal, os bancos são alvos tão visados? A resposta está no valor dos dados. Além de movimentar bilhões diariamente, os bancos armazenam informações valiosas, como números de contas, históricos financeiros e dados pessoais. Isso torna as instituições financeiras um alvo atrativo para cibercriminosos, que encontram nesses dados uma fonte lucrativa.
As principais ameaças cibernéticas em 2024
1. Ransomware: O Sequestro de Dados
O ransomware continua sendo uma das ameaças mais devastadoras para as instituições financeiras. Em um ataque desse tipo, os cibercriminosos criptografam os dados do banco e exigem um pagamento, geralmente em criptomoeda, para liberá-los. De acordo com um relatório da Sophos, os custos médios de recuperação de um ataque de ransomware triplicaram em 2021, chegando a US$ 1,85 milhão.
Em um incidente recente, o Banco Flagstar, nos EUA, foi vítima de um ataque de ransomware em 2022, comprometendo os dados pessoais de 1,5 milhão de clientes.
Como se proteger:
- Backup: manter backups frequentes e armazenados em locais fora da rede principal.
- Atualizações de software: garantir que os sistemas operacionais e aplicativos estejam sempre atualizados.
- Soluções de segurança avançadas: investir em soluções que detectem comportamentos anômalos no sistema e isolem o malware antes que cause danos.
2. Phishing: A Técnica de Enganação
O phishing continua sendo uma das principais portas de entrada para ataques cibernéticos. Em 2024, essa ameaça está ainda mais sofisticada, com ataques de spear phishing que personalizam mensagens para funcionários específicos de uma organização. De acordo com a Verizon Data Breach Investigations Report (DBIR) 2023, 74% das violações de dados no setor financeiro envolveram elementos de engenharia social, com o phishing liderando as estatísticas.
Como se proteger:
- Treinamento contínuo de funcionários: ensinar a equipe a identificar sinais de phishing, como URLs suspeitas e anexos desconhecidos.
- Autenticação multifator (MFA): exigir verificações adicionais de identidade para garantir que acessos não sejam comprometidos por e-mails fraudulentos.
- Simulações de phishing: realizar exercícios práticos com os funcionários para aumentar a conscientização.
3. Ataques DDoS: Negação de Serviço
Os ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) têm se tornado uma ferramenta comum de sabotagem. Ao sobrecarregar os servidores de uma instituição com tráfego malicioso, esses ataques paralisam os serviços digitais dos bancos. Em 2023, o setor financeiro foi o segundo mais afetado por ataques DDoS, de acordo com o Relatório Anual de Segurança da NETSCOUT.
Como se proteger:
- Serviços de mitigação DDoS: implementar soluções específicas para combater esses ataques, como redes de entrega de conteúdo (CDN) e firewalls.
- Monitoramento de tráfego: realizar monitoramento em tempo real para identificar padrões anormais de tráfego e bloquear antes que os danos sejam causados.
4. Malware Bancário: Roubo Invisível
Malwares bancários são projetados para roubar informações financeiras e são uma ameaça significativa ao setor. Um exemplo recente é o Emotet, um malware que evoluiu ao longo dos anos e tem sido usado para roubar dados financeiros e realizar fraudes bancárias. De acordo com a McAfee, os ataques com malware bancário cresceram 50% em 2023.
Como se proteger:
- Segurança multicamada: usar ferramentas que combinem antivírus, firewalls e detecção de comportamento anormal.
- Atualizações constantes: manter os softwares de segurança atualizados para prevenir infecções por malwares conhecidos.
- Educação do cliente: alertar os clientes sobre os riscos de baixar aplicativos ou clicar em links de fontes desconhecidas.
5. Vulnerabilidades em APIs: O Novo Campo de Batalha
Com a ascensão das fintechs e a crescente dependência das APIs para conectar sistemas bancários a serviços de terceiros, as vulnerabilidades nessas interfaces são uma preocupação crescente. Um estudo da Salt Security apontou que 94% das empresas enfrentaram problemas de segurança em APIs em 2023, tornando-as um vetor importante para ataques.
Como se proteger:
- Auditoria regular de segurança: testar periodicamente as APIs para identificar e corrigir vulnerabilidades.
- Autenticação forte: implementar autenticação robusta e monitorar acessos.
- Limitar o acesso: aplicar o princípio de privilégio mínimo, permitindo que cada API tenha acesso apenas ao que for necessário.
Outras ameaças relevantes
Ataques de Engenharia Social
Além do phishing, os cibercriminosos utilizam táticas como pretexting (fingir ser alguém com autoridade) e baiting (oferecer iscas, como dispositivos USB infectados) para enganar funcionários e acessar sistemas internos. De acordo com o Relatório DBIR da Verizon, esses ataques estão cada vez mais comuns no setor financeiro.
Como se proteger:
- Políticas rígidas de verificação de identidade: Antes de liberar qualquer informação ou conceder acesso, os funcionários devem seguir procedimentos claros de verificação.
- Treinamento de conscientização: os colaboradores devem ser treinados para reconhecer e relatar tentativas de engenharia social.
Ataques de Insider: Ameaça Interna
Os insiders mal-intencionados (funcionários ou ex-funcionários) têm acesso direto aos sistemas bancários, representando uma ameaça significativa. Casos recentes incluem funcionários de bancos que venderam dados de clientes no mercado ilegal. De acordo com a Forrester, 25% dos ataques no setor financeiro em 2023 vieram de ameaças internas.
Como se proteger:
- Monitoramento de atividades: implementar ferramentas de monitoramento e análise de comportamento dos funcionários.
- Segregação de acesso: garantir que os acessos sejam limitados de acordo com as responsabilidades do funcionário.
A segurança cibernética no setor bancário é um dos maiores desafios de 2024. As ameaças são sofisticadas e estão em constante evolução. Desde ransomware até vulnerabilidades em APIs, os bancos enfrentam riscos que, se não forem adequadamente gerenciados, podem resultar em danos financeiros e perda de confiança dos clientes.
Adotar uma abordagem proativa, investindo em tecnologias de segurança, treinamento contínuo dos funcionários e auditorias regulares pode mitigar esses riscos. Além disso, é crucial que os bancos colaborem com especialistas em segurança cibernética para permanecer à frente dos cibercriminosos.